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Sobre a Infância…

Filmes de infância roubada, abandono e sofrimento de crianças tendem ao sentimentalismo extremo, arrancando lágrimas dos expectadores. Claro, pois tratam-se de crianças oras bolas! Mas ontem assisti ao filme Ninguém Pode Saber (Dare mo shiranai, 2004), filme japonês que trata não de apenas um caso real, mas de vários acontecimentos relacionados ao abandono infantil. Alguns podem estranhar um caso desses num país “desenvolvido” como o Japão, mas existem muitos casos iguais. A diferença é que muitas vezes os pais não os abandonam nas ruas, mas simplesmente deixam a casa para nunca mais voltar.

Pois sem sentimentalismo exagerado é que este filme se destaca. Ele flui natural e sutil, agoniante e confortante. Resumindo a história: 4 irmãos, Akira, Kyoko, Shigeru e a pequena Yuki (coincidentemente dois nomes de primos meus e uma de minha sobrinha) são abandonados pela mãe em um apartamento em Tóquio. Um detalhe, eles não podem sair de casa pois se descobrirem sua presença são expulsos do condomínio. Salvo o bravo Akira (Yûya Yagira, merecidamente vencedor da Palma de Ouro em Cannes), de 12 anos, o irmão mais velho e único que pode sair para o “mundo exterior”.

Aqui uma pausa, um retrospecto. Como era meu cotidiano aos 12 anos de idade: acordava, colégio, almoço da mamãe, videogame, futebol no vizinho, comandos em ação no outro vizinho, janta da mamãe, TV, dormir. No stress! É neste filme que vejo, de forma sutil, uma criança de 12 anos sofrendo de stress adulto, e isso sim é dramático. Akira cuida de verdade das 3 crianças, que são muito unidas e sobrevivem de forma peculiar e tocante. E apesar de todos os acontecimentos nenhum deles derruba uma lágrima durante todo o filme. A cultura ocidental pode achar isto estranho, mas assim é a cultura japonesa. Criados de maneira dura, fria e muito respeitosa, que dispensa as lágrimas e guarda os sentimentos.

Fotografia interessante, ângulos e closes inusitados mas significantes completam o ótimo roteiro e atuações impecáveis. Vale a pena também para entender um pouco mais da cultura japonesa moderna.

Post do Kodama

Vingança on the Rocks

Chego em casa, ligo a TV e a NET mais uma vez “contempla” seus assinantes básicos (ou seja, eu) com uma semana “grátis” de todos os canais TELECINE. Ueba! Uma semana com cinco canais de cinema 24 horas? Tá pra mim! Na verdade 4 canais, pois inserido na minha ignorância blockbusteriana, achava que só prestavam o ó do PREMIUM, o bum do ACTION, o há do LIGHT e a sessão da tarde do PIPOCA.

E subo os canais, paro em um, volto para outro, terminam os filmes, começam outros e nada que preste. Só pode ser sacanagem. Eles liberam os canais e nada de bom em quase cinco horas em 4 canais? Meu dedo escorrega no botão e lá está o último deles. Aquele que eu não dava nada, o tal do CULT. Há, e dou de cara com meu velho amigo Marty McFly. De Volta para o Futuro 1? Ah, é aqui mesmo. Me aconcheguei e logo depois outra ótima surpresa: O Enigma da Pirâmide. No outro dia uma melhor ainda! O Feitiço de Áquila. Bastou! É por aqui que eu fico.

Nova noite, primeiro canal? CULT!! Yeah!! (fazendo sinal de Rock’n Roll com os dentes cerrados!!).

Ótima e definitiva surpresa valendo todos os dias “grátis” dos 5 canais de filmes: Lady Vingança (Chinjeolhan geumjassi, 2005), do agora aclamado diretor coreano Park-Chan Wook. Considerado o Tarantino coreano… nem a pau Juvenal. Park-Chan Wook pode ter uma narrativa desconjunta e tons de humor negro e só. Sua visão da violência estilizadamente real (vishhh) fogem do nosso caricatural engraçado sanguinário amigo Quentin.

Lady Vingança (Chinjeolhan geumjassi) | Direção: Park Chan-Wook

Este filme fecha a Trilogia da Vingança, iniciado com Sympathy for Mr. Vengeance (2002) seguido de Oldboy (2003). Para mim falta o primeiro que estou tratando de “providenciar”. Comparando à Oldboy temos como conexão o conceito da vingança e o trabalho visionário do diretor, que enche de detalhes, inclusive gráficos, desde o primeiro instante, passando pelos créditos iniciais até as finais. Vale assistir 2 ou 3 vezes para não deixar passar nada.

Não contarei a trama para não perder a graça, porque é aí que você… é você mesmo que não se surpreende com reviravoltas, vai tremer na base… mas uma tremida saborosa e angustiante ao mesmo tempo. Só preste atenção no momento em que a protagonista é apresentada à sua arma… é hilário.

post do Kodama